De buzzword a realidade de balanço
Em 2020, falar de tokenização de ativos reais (os famosos RWAs, de Real World Assets) soava como uma buzzword de palestra de inovação. Em 2025, a conversa mudou de lugar: saiu do palco de evento cripto e entrou definitivamente nas reuniões de conselho e comitês de finanças.

Foto de grupo na Cúpula do Futuro da Web 3.0 da ANCHOR e na Cúpula de Lançamento das Conquistas de Pesquisa e Tecnologia da RWA
Relatórios recentes mostram que o Brasil já superou a marca de US$ 1 bilhão em ativos tokenizados, com um ecossistema em franca expansão e mais de 60% das plataformas operando sob licença da CVM. Não é mais laboratório: o mercado de tokenização entrou oficialmente em rota de escala.
Ao mesmo tempo, o mercado global de RWAs caminha para números de outra ordem de grandeza: projeções do Boston Consulting Group indicam potencial de até US$ 16 trilhões em ativos tokenizados até 2030. Para um CFO, isso não é apenas “tendência tecnológica”: é uma mudança estrutural em como crédito, recebíveis, imóveis, agro e infraestrutura são financiados.
O que são RWAs
RWAs são ativos do mundo real representados em formato digital em uma blockchain. Em vez de um contrato, título ou recebível “preso” em uma estrutura jurídica e operacional lenta, ele passa a existir também como um token programável, que pode ser fracionado, transferido e liquidado com a velocidade da internet.
Exemplos mais comuns hoje no Brasil:
- Crédito privado e recebíveis (CCBs, debêntures, FIDCs, CRAs, etc.) tokenizados para acelerar captação e dar liquidez.
- Ativos imobiliários fracionados em tokens negociáveis, permitindo acesso a cotas menores e mercado secundário.
- Ativos do agronegócio, como recebíveis agrícolas e estruturas ligadas a produção e armazenagem.
Na prática, o token não “inventa” um ativo novo: ele espelha juridicamente um ativo que já existe, mas melhora o modo como ele é distribuído, registrado, fracionado e liquidado.
O que mudou em 2025: Brasil deixou a fase experimental
Vários indicadores ajudam a mostrar que 2025 foi um divisor de águas no Brasil:
- O Brazil Tokenization Report 2025. The Convergence Moment aponta que o país ultrapassou US$ 1 bilhão em ativos tokenizados, consolidando-se como líder em ativos digitais na América Latina.
- O estudo mostra quase 30 plataformas de tokenização ativas, com foco crescente em crédito e recebíveis, e mais de 60% já operando sob licenças e normas da CVM.
- A conclusão: 2025 foi o primeiro ano em que o mercado saiu da fase experimental e entra em rota de escala, impulsionado por evolução regulatória (revisão da Resolução 88, discussões em torno do Regime FÁCIL, Drex, etc.) e pela entrada de bancos, gestoras e plataformas reguladas.
- A ABCripto aponta crescimento acima de 300% na tokenização de ativos reais no Brasil em 2025, com mais de R$ 2 bilhões movimentados em contratos digitais lastreados na economia real.
O recado é claro: não acompanhar esse movimento é correr o risco de continuar financiando a empresa em “modo analógico” enquanto o mercado de capitais migra para uma infraestrutura digital mais rápida, barata e global.
Por que RWAs importam para empresas B2B (e não só para o mercado financeiro)
Financiamento mais flexível de capital de giro e projetos: estruturas baseadas em crédito tokenizado permitem reduzir custos operacionais, acelerar a liquidação e acessar novos canais de distribuição de dívida.
Acesso a investidores globais: um CRA ou debênture “empacotado” como token pode, em tese, ser distribuído em infraestruturas globais, ampliando a base de investidores.
Integração com stablecoins e hedge cambial: empresas com exposição ao dólar já utilizam USDT, USDC e stablecoins lastreadas em títulos públicos como forma de proteção contra a desvalorização do real. RWAs tokenizados em dólar tendem a se conectar naturalmente com esse movimento. Impulsionando o mercado de stablecoins junto ao mercado de RWA.
Para empresas de importação/exportação e supply chain
Supply chain finance on-chain: a tokenização de recebíveis de fornecedores permite antecipações de forma mais eficiente, com monitoramento de risco e liquidação automatizada, em linha com o que já se faz hoje em programas de supply chain finance, só que sobre uma infraestrutura blockchain mais rápida e transparente.
Liquidação internacional mais ágil: quando a contraparte paga em stablecoin, o fluxo financeiro é praticamente instantâneo e com custos menores; a tokenização de ativos permite conectar esse fluxo a estruturas de crédito, seguros e financiamento de trade em escala global.
Para empresas que já recebem em cripto
Quem já recebe em USDT/USDC ou outras stablecoins hoje, seja em iGaming, rifas online, serviços digitais ou operações internacionais, está a um passo de acessar produtos de RWA: basta conectar a carteira ou exchange a plataformas de tokenização ou protocolos DeFi regulados.
Isso abre espaço para alocação de parte do caixa em RWAs tokenizados (como crédito privado, títulos de governo, recebíveis agrícolas), combinando rendimento com liquidez digital.
O papel da regulação: de risco regulatório a vantagem competitiva
A pergunta não é “o que é DeFi?”, mas “isso é regulado, seguro e auditável?”.
Alguns pontos importantes do cenário brasileiro em 2025:
- A Resolução CVM 88 e a Instrução 175 criaram a base para ofertas públicas digitais e emissões tokenizadas de renda fixa, ainda em modelo “laboratorial”, mas já funcional.
- A segunda edição do Brazil Tokenization Report 2025 destaca que o principal desafio deixou de ser a regulação e passou a ser a falta de conhecimento dentro do mercado institucional. Em outras palavras: o arcabouço mínimo já existe; agora falta educação.
- Mais de 60% das plataformas de tokenização brasileiras atuam com licenças e normas da CVM, sinalizando convergência entre infraestruturas blockchain e mercado de capitais tradicional.
Para empresas que querem ser early adopters com responsabilidade, esse cenário cria uma vantagem: quem começar agora, com parceiros regulados e estruturas bem desenhadas, tende a capturar ganhos de eficiência antes da maioria.
Da sua conta em real ao RWA: o “caminho do dinheiro” na prática
Hoje, para uma empresa B2B típica no Brasil, o fluxo ainda é assim:
- Recebe em PIX (Brasil) ou transferência bancária tradicional.
- Usa bancos e gateways para processar e repassar valores.
- Quando quer acessar cripto, precisa lidar com múltiplas contas, integrações e riscos operacionais.
Na prática, quem deseja conectar caixa em real a oportunidades de RWAs em 2025 pode seguir uma lógica em etapas:
Etapa 1 – On-ramp (BRL → cripto): conversão de PIX em stablecoins (como USDT/USDC) por meio de um intermediário de pagamentos especializado.
Etapa 2 – Movimentação em cripto: envio desses valores para uma exchange CEX ou DEX que ofereça acesso a tokens de RWA regulados ou a estruturas baseadas em crédito, imóveis, agro, etc.
Etapa 3 – Alocação e gestão de risco: definição de políticas internas (tesouraria, compliance, jurídico) sobre limite de exposição, tipo de ativo, prazos e contrapartes.
Nesse cenário, plataformas de pagamento cripto-first com integração PIX funcionam como ponte entre o caixa em real e o ecossistema de ativos digitais, sem necessariamente serem elas próprias emissoras de RWAs. É aqui que entra a conexão com a XGATE.
Como a XGATE se posiciona nessa transformação
A XGATE nasceu como uma plataforma de pagamentos que conecta PIX e criptomoedas, permitindo que empresas aceitem pagamentos em real e convertam rapidamente para stablecoins como USDT, além de realizar operações cripto↔cripto com taxas competitivas e suporte.
Embora a XGATE não ofereça diretamente produtos de RWA ou DePIN na plataforma, ela funciona como uma ponte segura entre o fluxo de caixa em BRL e as oportunidades do mercado tokenizado. Na prática, a empresa pode:
- Receber em PIX via XGATE.
- Converter parte desse valor em USDT dentro da plataforma.
- Utilizar uma corretora (CEX) ou protocolo (DEX) de sua escolha para acessar tokens de RWAs alinhados à sua política de risco.
Dessa forma, a XGATE não substitui as plataformas de tokenização, mas simplifica a etapa crítica da jornada: tirar o dinheiro do sistema bancário tradicional e levá-lo, com segurança, até o ambiente em que os RWAs estão sendo emitidos e negociados.
Quem ignora RWAs hoje pode estar ignorando o próximo “padrão” de financiamento
O movimento de tokenização de ativos reais não é mais um experimento de nicho. Com mais de US$ 1 bilhão em ativos tokenizados no Brasil, crescimento superior a 300% no ano e mais de 60% das plataformas já sob a supervisão da CVM, o país se posiciona para ser um dos protagonistas globais dessa nova infraestrutura financeira.
A questão deixou de ser “se” RWAs vão ganhar escala e passou a ser “quando e como sua empresa vai se conectar a esse ecossistema”.
Enquanto isso, soluções de pagamento que integram PIX e stablecoins criam o elo prático entre o caixa em real e o universo de ativos tokenizados. É nesse ponto, como ponte entre o dinheiro que entra hoje e as oportunidades que se abrem na próxima década, que plataformas como a XGATE podem fazer a diferença.
A transformação já começou. A pergunta agora é: sua empresa vai ficar para trás, ou vai liderar essa mudança?



